A morte como criação
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Estive refletindo sobre a morte, como ela é importante para a criação.
Eu ouvia de uma antiga psicóloga que me atendia, ela dizia o quanto era importante saber viver o luto e deixar ir com docilidade, porque isso abre espaço para o novo.
Eu nunca entendi direito o que ela queria dizer e nem dava tanta importância.
Até começar a perder tantas coisas que amo.
O ser humano é um bicho preguiça, com suas garras, a gente se agarra nas coisas. Não quer deixar mais ir embora. É como o cérebro foi desenhado, se algo nos atende uma necessidade, nós queremos proteger esse algo e torná-lo eterno.
Mas Deus não fez a vida assim, ele mata as coisas constantemente.
E sobre isso, acredito que os Hindus estavam certos. Vamos investigar juntos.
Kali, a deusa da destruição
Sobre o que os Hindus falavam sobre Kali:
O nome Kali vem do sânscrito Kālī, que significa “A Negra” ou “Aquela que pertence ao Tempo” (kāla = tempo, morte, destino). No hinduísmo, Kali não é uma deusa do mal, mas a força da realidade que destrói tudo o que é falso ou obsoleto para que algo novo possa nascer. Ela representa o aspecto inevitável da existência que dissolve ilusões, ego, apego e formas antigas. Na vida prática, Kali simboliza a coragem de encarar a verdade, abandonar o que já morreu, atravessar a dor da transformação e permitir que a vida se renove. Kali representa a energia que age e transforma. Por isso, para os hindus, Kali não é apenas destruição: ela é a destruição necessária para o crescimento, a liberdade e o renascimento.
— ChatGPT
Fiquei bem impactado com essa simbologia dos hindus, eles tornaram essa força do Universo de destruição em uma Deusa. Kali.
Por termos tempo limitado de vida, precisamos escolher o que fazer.
Ao escolher manter algo, isso está ocupando o lugar de outro algo.
Sempre que definimos um objetivo, estamos estipulando que algo deve morrer. Se nada novo surge de padrões antigos, nenhum resultado diferente pode surgir.
É da mudança da ação que surgem as mudanças da vida. Percebe?
Para que algo novo possa surgir, você precisa intencionalmente matar um velho eu.
Abandonar certos grupos, deixar de lado alguma identidade, abandonar certos hábitos, queimar certos passados e abandonar ideias que antes amou.
Ao matar algo que não lhe serve mais, você abre espaço para o novo.
Matar o obsoleto é a única forma de gerar o novo.
Morte e criação estão intimamente ligados, um não existe sem o outro.
Bloqueio da criação
Nos fechamos e não mudamos, porque não queremos matar o obsoleto.
Nos apegamos a certos hábitos, certos grupos e identidades, portanto não queremos queimar tais coisas, queremos que tudo isso continue e permaneça, mas ao mesmo tempo dizemos que queremos o novo.
Mas para que o novo apareça, como pode surgir sem abandonar o velho?
Não existe o novo sem morte. Nem criação sem morte.
Se numa parede do seu quarto você tem um quadro, este quadro ocupa o espaço de outro quadro ou da própria parede. Uma escolha gera várias renúncias.
Ao escolher uma coisa, ocupamos ali o espaço de outro algo que poderia ser.
Em economia, chamaríamos isso de custo de oportunidade.
Queremos a transformação, mas não queremos abandonar o que não nos serve mais. Nos apegamos a quem nós fomos ou as ideias que construímos na cabeça.
O apego é a grande fonte de infelicidade e também de nossos insucessos.
Nova proposta para viver
E se toda vez que quiséssemos algo de diferente, ao invés de pensarmos no que precisamos adicionar, a gente se inspire e reze para que a deusa Kali mate.
Mate nossas ilusões, mate nossas antigas ideias e nossas queridas fantasias.
Que a Deusa Kali escolha com cuidado o que não serve mais e deve partir, corte a cabeça dos papéis que assumimos, mas não são nossos!
Que queime as ilusões que sustentam nosso castelo de sofrimento.
Eu rezo para que de olhos abertos, eu incorpore o espírito de Kali e liste tudo o que vou abandonar de agora em diante, que vou matar, para que o novo possa surgir.
Em linha prática:
Abandonar antigas crenças
Jogar fora o que não uso mais
Me afastar de certos amigos
Não frequentar certos lugares
Sair de algumas comunidades
Doar certas roupas
Parar de consumir certas coisas
Não ouvir mais aquelas músicas
Abandonar aquela antiga identidade
Não cumprir mais certos papéis sociais
Não responder mais certas pessoas
Não consumir mais certos conteúdos
Não colocar mais energia em certos projetos
Não sustentar mais certos hábitos
Parar de dar mais atenção para certas vozes
Rezo para que a gente possa, de olhos bem abertos, mesmo que doa, mesmo que nos faça sentir falta, por um amor maior, que a gente mate o que não deve mais ter espaço.
Tudo o que é inútil, disfuncional ou obsoleto.
Mesmo que doa, a gente mesmo escolha e mate esses queridos passados. Queridas histórias que um dia nos serviram, mas não nos servem mais.
Rezo para que a gente tenha Coragem e não deixe a vida tirar de nós sem que a gente mesmo possa beijar no rosto e nos despedir com carinho.
A morte faz parte da vida, assim como a vida faz parte da morte.
Este é um ciclo inevitável, e logo nós seremos resgatados por Kali.
Eu estou pronto deusa Kali.
Eu aceito a morte, assim como aceito a vida.
Não tenho mais medo da morte, nem medo da dor.
Eu aceito a vida em sua inteireza.
Com amor,
— Chris Fedrizzi


Incrível muito bem colocado! Para re eber mais, às nossas mãos devem estar vazias! Só quem doa consegue receber. Temos que ter a coragem de abandonar o velho para que o novo possa chegar.