A raiz do sofrimento humano
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Estava agora sentado em uma lagoa perto de casa. Triste. Inconformado. Frustrado.
Esses sentimentos me acompanharam durante muitos anos da vida, mas pouco a pouco, eu tenho me curado desses padrões e escolhido a felicidade.
Hoje, investigando esses sentimentos e padrões de pensamentos, consegui chegar numa encruzilhada que me levou a concluir algo muito importante.
De onde surge grande parte dos meus sofrimentos?
Descobri a resposta para essa pergunta e assim como o filósofo Arquimedes que correu nas ruas gritando Eureka, eu voltei correndo para te escrever essa carta.
Eureka, eu descobri a origem de grande parte do sofrimento humano.
A origem do sofrimento humano
Não estou dizendo que descobri a origem de TODO o sofrimento humano. Geralmente a realidade é mais complexa e não cabe em uma única causa.
Mas investigando o que durante anos me gerou frustrações e ressentimentos, consegui chegar num denominador comum: Expectativa.
Parece ridículo, mas fica profundo quando damos mais um passo:
Por que a expectativa seria a origem de tanto sofrimento?
Pouca gente tira o tempo para se aprofundar nessas questões, mas eu tenho aprendido que ficar em solitude e chegar em minhas próprias conclusões, é realmente algo que me traz paz, riqueza e felicidade.
A maioria das pessoas fogem de si como o diabo foge da luz.
Eu decidi ficar quieto, sentindo meu corpo e investigando meus pensamentos.
Então por que a expectativa é a origem de tanto sofrimento?
A etimologia de Expectativa
Ficar esperando que algo específico aconteça na Realidade.
Essa atitude mental gera tanto sofrimento, porque nós não somos Deus.
Não podemos controlar o que irá acontecer de fato na Realidade.
Quando ficamos esperando que X aconteça, mas a Realidade apresenta Y.
Isso gera frustração, porque estávamos esperando que X acontecesse.
Esse investimento emocional num futuro específico gera sofrimento. Se constantemente ficamos esperando que as pessoas se comportem de tal maneira ou que as coisas aconteçam como preferimos, a gente cria as condições para o sofrimento.
Construímos as condições perfeitas para o sofrimento, como um grupo de nuvens carregadas criam a condição para que a chuva aconteça.
Nós construímos o jardim do nosso sofrimento e o regamos todos os dias, nutrindo expectativas sobre as pessoas e a vida, esperando que os eventos aconteçam como nós mesmos planejamos, mas novamente, não somos Deus. Não temos controle sobre o que irá de fato acontecer, são muitas causas que nunca poderemos prever.1
Isso implica que não podemos esperar nada da Realidade?
Calma, quero propor uma forma possível de lidarmos.
Preferência ≠ Expectativa
Eu posso ter uma preferência por um futuro determinado, mas achar tudo bem, caso esse futuro que não se realize.
O problema de criar expectativa é a atitude mental que adotamos. Ficamos esperando que X aconteça, ao invés de apenas preferir que aconteça.
Prefiro que aconteça X, mas acontece Y, tudo bem.
Eu preferia X, mas aceito que Y aconteceu e sigo em frente, não estava ESPERANDO que de fato X acontecesse, apenas tinha uma preferência e não uma expectativa.
Esperar que aconteça X é diferente!
Você se coloca numa postura de espectador do evento e ainda fica ansiosamente observando a Realidade para confirmar o que você espera que aconteça.2
Quando acontece Y, você chora e se frustra, porque a Realidade não se conformou com a sua expectativa de realidade.
É nessa lacuna, entre o que você esperava e o que aconteceu que mora boa parte de nossos sofrimentos.
E se você não esperasse nada?
E se você esperasse que acontecesse exatamente o que tinha que acontecer?
Mesmo preferindo X ao invés de Y.
Implicação
Fico imaginando um ser humano desapegado, mas que tem preferências:
Quero que o que tiver que acontecer, aconteça.
É uma postura de colocar a Verdade acima da Preferência. E se a gente vivesse desejando a Verdade mais do que o que fantasiamos em nossa mente?
E se abordássemos a vida com uma postura curiosa e aberta para ver o que surge? Ao invés de exigir que X ou Y aconteça para estarmos satisfeitos.
Não seríamos muito mais felizes? Ao ter essa postura leve, essa postura aberta e compassiva com a Realidade, esperando apenas que ela se mostre na realidade. Que ela refute as nossas crenças ou que confirme, mas que isso não importa, o que importa é ver a Realidade como ela realmente é, não uma Realidade que eu tenha preferência.
Não viveríamos mais leves e felizes?
Eu não sei, eu ainda crio muitas expectativas. Espero que fulano seja quem eu gostaria que fosse, espero que a empresa dê certo e ainda crio expectativas esperando que a realidade se conforme com essa versão de futuro imaginada, mas talvez nem eu saiba o que é melhor pra mim e a inteligência da vida vai me trazer o que eu preciso viver, não o que minha cabecinha imagina que seria o melhor pra mim.
E se confiássemos na vida por inteiro?
De que o que tem que acontecer irá acontecer e isso seja suficiente.
Desapegar do controle do que nós queremos que aconteça, mas abraçar a vida como ela tem que ser.
Podemos preferir, mas não ficar esperando que algo aconteça, porque se continuarmos assim, estaremos nutrindo as condições do nosso sofrimento.
O que realmente vale a pena esperar?
Que ela aconteça como tem que acontecer, não como eu prefiro que aconteça.
Deixe que a Verdade queime suas ilusões confortáveis.
É isso o que tentarei viver de agora em diante.
Desejar acima de tudo a Verdade, não o que eu prefiro que aconteça.
— Chris Fedrizzi
Além de não sabermos de todas as causas e não termos controle sobre todas elas, ainda temos o fator da sorte que apresenta mais uma variância na realidade.
Inclusive muitas vezes se enganando para confirmar o que prefere que aconteça, não vendo a realidade como ela realmente é. Isso se chama Motivated Reasoning.



É isso ai! A melhor maneira de viver é contemplar a realidade que já existe!