A vida é uma viagem
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Sábado fiz uma sessão de terapia presencial.
Passei 3 horas rabiscando palavras.
Essa é a metáfora que se formou:
E se tratássemos a vida como tratamos uma viagem?
A gente lembra bem das nossas melhores viagens. O frio na barriga, a excitação pelo novo e a busca por algo que não sabemos ainda definir em palavras.
As viagens nos acendem e nos ensinam coisas que as palavras não podem captar.
As viagens com todos os perrengues e glórias, nos ensinam a viver. Talvez seja essa a conexão que fazemos, as viagens são pequenas vidas com início, meio e recomeço.
E se vivêssemos a vida como vivemos uma viagem?
Etapas de uma viagem
Pense em sua última viagem.
Quais passos tomou para que ela se concretizasse?
Consegui mapear esse fluxo com a psicóloga.
Coisa que te inspirou
Imagem mental que imaginou
Desejo que apareceu
Decisão que tomou
Plano que se formou
Ação que tomou
Roteiro que se formou
Partida que aconteceu
Impacto que gerou
Surpresa que apareceu
Narrativa que se contou
Retorno que aconteceu
Legado que restou
Eu fiz esse mapeamento imaginando a viagem que fiz sozinho para a Bolívia e Peru. Passei 1 mês viajando sozinho do Brasil para a Bolívia e depois ao Peru.
Você acredita que foi uma viagem leve sem nenhum perrengue?
Jamais. Nenhuma viagem acontece sem imprevistos e surpresas.
Vamos continuar o entendimento do método que desenvolvi em conjunto com ela.
Zoom no processo
Se você olhar bem, vai ver que qualquer viagem é uma montanha russa de emoções. Basta imaginar cada etapa do processo e pensar: o que eu estaria sentindo nessa etapa?
As emoções variam tanto e se misturam tanto que não conseguiríamos mapear.
O ponto é que mesmo com perrengues, uma viagem bem feita, sempre vale a pena!
Por que?
Por que em uma viagem aproveitamos tanto mesmo os perrengues?
Por que em uma viagem lidamos bem com imprevistos e até gostamos dos desvios de rotas, mas na vida nos cobramos tanto para ter certeza de tudo?
Comecei a notar que minha atitude mental na vida era muito diferente da minha atitude enquanto explorava outro continente.
Num mochilão eu prefiro o mínimo de planejamento, agradeço quando mudam as rotas e mesmo com imprevistos, confio que tudo vai dar certo, porque pelo menos terei boas histórias para contar e isso é suficiente.
Mas na vida não!
Na vida a gente planeja cada detalhe, na vida a gente busca certezas e quando surge um imprevisto ou mudança que nos surpreende, a gente sofre.
Por que?
A vida não seria também uma grande viagem?
A maior de todas.
Etapas fundamentais
Se olharmos novamente podemos visualizar as mais importantes:
Coisa que te inspirou
Imagem mental que imaginou
Desejo que apareceu
Decisão que tomou
Plano que se formou
Ação que tomou
Roteiro que se formou
Partida que aconteceu
Impacto que gerou
Surpresa que apareceu
Narrativa que se contou
Retorno que aconteceu
Legado que restou
Parecem ser esses 5 pontos, os pontos fundamentais de uma boa viagem.
Desejo nos move
Decisão gera ação
Surpresa nos excita
Narrativa define o sabor
Legado nos nutre e nutre os outros
Sem desejo não existe vida. Sem decisão não existe ação. Sem surpresa a vida não tem graça. Sem uma narrativa positiva a vida é um inferno. Sem legado não sobra nada.
O ponto central do texto é como nós podemos viver uma vida como vivemos durante uma viagem. Quais são as diferenças da vida para uma viagem?
Abraçamos as surpresas como oportunidades
Planejamos menos o roteiro deixando espaço para mudar de rota
Damos risada dos perrengues, porque sabemos que nos renderá boas histórias
Imagina viver uma vida assim cheia de prazer e aventura, onde a vida não está contra nós e nossos planos, mas a favor. Onde as surpresas são bem-vindas.
Onde cada vento e cada (e)vento que muda a nossa rota é bem recebido, como uma mudança no meio da viagem te leva para caminhos inexplorados.
E se a gente dançar com a vida dependendo do ritmo que ela toca?
E se pararmos de tentar controlar tudo e nos deliciar em não saber?
E se a gente pudesse viver a vida como se fosse uma grande viagem?
Porque talvez a vida seja uma grande viagem. Um mochilão de galáxias.
Minha proposta
Te provoco a pensar. O que faz você ser tão animado e tão diferente numa viagem, mas no dia a dia da vida ter essa cara de tédio e desânimo?
O que mudou?
Você continua sendo a mesma pessoa.
Será que não podemos reaprender a viver ao tratarmos a vida como uma viagem?
Embarcar em aventuras sem saber direito onde vamos chegar. Onde aproveitamos as surpresas do caminho, não como se fosse algo ruim inesperado, mas sim que a vida está nos trazendo e que pode ser algo muito melhor do que havíamos pensado.
Se Deus é o maior dos storytellers, por que não vivemos suas histórias?
Seria tão chato uma viagem onde planejamos e sabemos de tudo o que irá acontecer e nada acontece fora de rota. Você vê o que já sabia, tudo acontece milimetricamente como o planejado e você não se transforma. Só vê aquilo que já via na sua imaginação.
Seria uma vida chata. Como num filme que já sabemos o final.
Deus é o maior de todos os storytellers, portanto sua caneta não para de escrever e nós vivemos iludidos, imaginando que temos controle do futuro e que poderemos saber o que é que nos aguarda no futuro.
Somos crianças brincando num joystick que está desconectado do videogame.
Achamos que controlamos, mas não. É a vida que nos puxa, nos aponta e nos empurra para onde devemos ir, igual em uma viagem, onde as coisas se desenrolam apesar de nossos roteiros, e que no fim, se torna algo muito melhor do que havíamos planejado.
Podemos colaborar com a vida. Co-criar as histórias com Deus.
Fazer de cada surpresa, um oceano de novas possibilidades, porque é isso o que cada evento da vida pode ser, se tivermos essa disposição de viver.
Basta decidir viver como queremos viver.
Com um coração cheio, eu lhe desejo uma excelente viagem.
O que a vida está te tentando lhe dizer?
Essa surpresa que te aconteceu, o que ela tornou possível que antes não era?
Rezo para que a gente aprenda a viver, como vivemos em uma boa viagem.
Felizes, abertos e curiosos, sempre prontos para rir dos problemas que serão boas histórias e aproveitar as oportunidades com as surpresas que nos acontecem.
— Chris Fedrizzi




