As 3 Duras Verdades que os 29 Anos Me Ensinaram Sobre a Natureza Humana
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Escrevo este artigo poucos dias após meu aniversário de 29 anos.
O último ano me ensinou 3 duras verdades que refletem a realidade da Natureza Humana. Ao aceitar, ao entender e aprender a lidar com essas verdades, a gente pode aprender a ser melhor na vida e no trabalho.
Mentira: Humanos mentem
Erros: Humanos erram
Conforto: Humanos evitam desconforto
Vou discorrer um pouco de como eu aprendi tudo isso.
Vamos começar da mais difícil, a mentira.
Primeira Verdade: Mentira
A mentira é uma estratégia social. Todos nós usamos em graus variados. Desde a mentirinha para não machucar alguém que a gente ama até a traição.
O problema da mentira é que ela corrói a confiança e destrói as relações.
Sem confiança, nem comprar um produto numa loja a gente consegue, imagina então construir um matrimônio e uma família. Confiança é a base das relações.
Essa Primeira Verdade me doeu muito. Nunca sofri tanto…
Uma pessoa que eu jurava que me amava, me traiu. Não vou entrar em detalhes, mas eu considero uma traição, por terem sido diferentes mentiras e pela intenção de evitar o sofrimento momentâneo para preservar sua própria opcionalidade.1
E isso já aconteceu em outros contextos, como pessoas em que eu confiei no trabalho que me traíram do dia pra noite e acabei de mãos abanando.
Os últimos anos da minha vida foram marcadas por traições e mentiras.
Pessoas em que confiei absolutamente, me decepcionaram.
E hoje eu consigo ver a lição que a vida tentava me ensinar:
"Maldito o homem que confia no homem, faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor!"
— Jeremias 17:5
Ao aceitar esse fato, de que qualquer pessoa em qualquer momento, pode estar mentindo e te enganando parece pesado, mas não é. É libertador.
É sempre libertador poder lidar com a Realidade sem ingenuidade.
O que muda é que a gente pode confiar, mas em graus diferentes, dependendo das evidências e da consistência das pessoas ao longo do tempo.
Mas nunca, nunca confiar cegamente no homem.
O ser humano é falível. Isso nos leva à segunda Verdade.
Segunda Verdade: Erros
A segunda verdade é aceitar o fato de que os erros fazem parte da vida humana.
Nunca seremos perfeitos, nunca! Somos humanos.
Somos seres de cognição e informação limitada, portanto, por mais inteligentes que somos, nunca poderemos evitar os erros, podemos apenas errar menos.
Essa segunda lição eu aprendi vendo pessoas que eu amo sofrerem por seus próprios carmas, pelas próprias sementes que plantaram e regaram, colhendo apenas dor.
Olhar elas sofrendo, sem poder salvá-las, foi um exercício importante que trabalhei em terapia e que também tirou de mim um peso grande das costas.
Ninguém pode salvá-las, senão elas próprias.
São elas as causadoras de seus próprios sofrimentos, patrocinam a própria dor.
São elas as causadoras do próprio caos que dizem querem interromper.
Mas continuam semeando as mesmas coisas, colhendo mais e mais dor até aprenderem e subirem de fase no jogo.
A palavra Erro deriva do latim error (desvio, engano), que por sua vez vem do verbo errare (vagar, andar sem rumo, perder-se).
Quando estamos aprendendo, cometeremos erros, faz parte do processo de aprendizagem, mas podemos evitar muitos desses erros se formos bons alunos.
Como nós podemos evitar erros desnecessários?
A gente erra para acertar, não para continuar errando.
No mundo das startups existe um concepção errada de quem mais erra, aprende mais rápido, mas não necessariamente!
Tem gente que erra muito e durante a vida toda, mas não corrige seus próprios erros, portanto estão desperdiçando tempo.
O que é válido mesmo é aprender e acertar, quanto menos erros, melhor! Obviamente que precisamos errar para aprender ou aprender com os erros dos outros, mas a intenção deve ser clara: errar menos, não mais.
Os seres humanos sempre irão errar, não podemos fugir dessa Verdade.
Mas podemos aprender com os erros dos outros e cada vez errar menos.
Terceira Verdade: Conforto
Já me relacionei com muitas pessoas e muitas delas não tinham paciência pra me ouvir falar de filosofia, elas não tinham interesse nenhum na Verdade. Por que?
Geralmente estão inundadas em prazer e fugindo da dor, viciadas em conforto.
Elas não querem saber da Verdade, porque geralmente a Verdade costuma ser desconfortável no curto prazo, e extremamente gratificante no longo prazo.
Alguns indivíduos estão tão perdidos em si e no conforto que elas não querem estar conscientes, elas só querem se inundar de prazer para evitar ver o mundo como é.
Elas vão bem longe para manter suas ilusões, se mergulham em narrativas, viagens para lugares distantes, criam ídolos que não conhecem e se perdem em argumentos que não as levam à mudança. Uma existência de masturbação.2
O conforto e o medo são as únicas coisas as impedindo de fazer progresso.
Como dizia minha primeira psicóloga e escritora, a querida Flávia Corregio:
“Chris, muitas pessoas querem a transformação, mas poucas pessoas querem passar pelo processo de transformação.”
O processo é caótico, incerto e nos deixa completamente exposto.
Nossos vícios e traumas aparecem, não temos para onde correr, precisamos enfrentar a vida de frente e confrontar nossos medos mais profundos.
Pouquíssimos estão prontos para essa tarefa.
O cérebro humano foi feito para conservar energia ao máximo, gastar o mínimo de calorias possíveis para conseguir alcançar as frutas da árvore da vida.3
Subir de nível ou criar algo de qualidade exige lutar contra a entropia.
Lutar contra o conforto.
Não é uma tarefa fácil, exige muita coragem e determinação.
Você está disposto a passar pelo processo de transformação?
Você aceita o custo e as dores implícitas nessa jornada?
Responda isso antes de começar.
Se não estiver disposto, seja sincero e assuma que não quer. Pare de dizer que deseja algo que não quer, isso só está te causando sofrimento.4
Se diz querer, você também analisou os custos e aceitou pagá-los. Se não, nem comece.
Conclusão
No auge dos meus quase 30 anos, Deus quis me ensinar enviando dores profundas, para que eu entendesse essas nobres verdades e compartilhasse com você depois.
O ponto não é se tornar uma pessoa amarga, mas ver a Verdade da vida e pensar:
O que está no meu controle que posso fazer para lidar com essas verdades?
Geralmente só podemos cuidar dessas coisas:
Nossa atenção
Nossas palavras
Nossas ações
Nossas escolhas
Nossa apresentação
Se as pessoas mentem, eu aprendo a lidar com a mentira.
Se as pessoas erram, eu aprendo a lidar com seus erros.
Se as pessoas preferem conforto, eu aprendo a tirá-las da zona de conforto.
Não foi nada fácil entender essas profundas verdades da Natureza Humana, mas entender isso me libertou, porque agora paro de depender de seres humanos.
De hoje em diante, confio absolutamente apenas em Deus.
O resto devem trazer evidências.
All others must bring data.5
— Chris Fedrizzi
Muitas vezes quem mente não é mal caráter, apenas não tem estrutura emocional e psicológica para aceitar a realidade e lidar com suas consequências, por isso ela prefere evitar a dor do momento e postergar o custo, que no fim é muito mais caro. É um ato infantil e também burro, porque no fim causa dores muito maiores no longo prazo.
Elas estão presas na própria mente. Vivem presas em imagens. Elas não se relacionam com a Realidade complexa, caótica e incerta, mas com imagens e narrativas que as dão certezas.
Eles chamam isso de mismatch evolutivo, quando os padrões gerados pela Natureza não mais maximizam o retorno do ambiente. Exemplo: para não morrermos de fome, nosso cérebro se configurou para sempre buscar alimentos com mais calorias, mas como lidamos com essa tendência agora no mundo moderno de alimentos ultraprocessados? Os marqueteiros hackearam nossa própria natureza para vender mais.
Não querer algo te liberta a buscar o que você realmente quer de verdade. Só precisamos ser sinceros. O ruim mesmo é fingir querer algo, buscar tudo, mas não alcançar nada, aí sim vai viver uma vida de completa frustração. Escolha poucos desejos e vá até o fim. Não pare.
A frase “In God we trust; all others must bring data” é comumente atribuída ao estatístico e consultor de gestão W. Edwards Deming devido à sua ênfase na tomada de decisões baseada em dados e no ciclo PDCA, mas não se sabe ao certo se foi ele mesmo que falou isso.


Sim, isso faz parte do ser humano. Só vivendo, mesmo, para aprender! A experiência própria é a maior professora do destino! Parabéns pelas reflexões!