O excesso virou a nova escravidão: Você não está cansado. Você está superestimulado.
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Eu tenho descoberto o quão doente estamos como sociedade. Meu trabalho hoje em dia se tornou uma grande missão: resolver o problema de saúde mental no mundo.
Quanto mais eu estudo, mais assustado eu fico. O tamanho da doença social e o quanto essa doença atinge grande parte da população mundial.
É a doença da excesso.
Estamos todos doentes, obesos, inflamados e superestimulados.
O problema social não é mais a falta, mas o excesso.
Origem da armadilha
Quando voltamos no início da humanidade, os caçadores-coletores tinham falta. Apenas o necessário para o dia (ou nem isso).
Não tinham tempo para filosofia, estavam ocupados caçando.
Sobreviver era um full-time job!
Sem esses excessos, não existiam áreas como a filosofia e a música, porque todos estavam tentando resolver um grande problema primeiro: sobreviver.1
Os excessos começaram a surgir na Era da Agricultura.
E isso acelerou exageradamente após a Revolução Industrial. Tudo começou a ser padronizado, automatizado e escalado. A métrica se tornou output por segundo.
Produzir, produzir e produzir para consumir, consumir e consumir.
Ao invés de dominar os homens pela escassez de recursos, começaram a dominar o homem com o excesso, a distração e a obesidade de informação.
Ao invés de nos matar de sede, começaram a nos afogar.
O afogamento no prazer
Tudo é palatável.
Batata virou Pão Pullman. Arroz virou McDonalds. Água se tornou Heineken.
Tudo o que pudesse inundar nossos sentidos, nos dar o máximo de prazer e nos viciar, foi constantemente priorizado na indústria, porque isso gera mais lucro.
Já imaginou se a indústria da saúde pensasse apenas no lucro?2
Esses idiotas não entendem que gente doente uma hora para de consumir, que gente doente não produz e que gente doente gera custos maiores no futuro.
Se pensar estritamente pela ótica financeira, ainda faria sentido priorizar o bem-estar da população. A ganância é realmente o parasita da psique humana.
Ao nos inundar com estimulantes e desejos empacotados, o povo consome mais, se estimula mais, sente mais prazer… até não sentir mais nada!
Até perder a noção de si mesmo.
Até perder a sensibilidade do prazer.
Até perder o significado da vida.
Até se isolar completamente dos amigos.
Até pular de um prédio.
Quem não se matou, está doente, obeso e inflamado.
Onde é que vocês querem chegar?
A cura da modernidade
Acredito que a cura é mais simples do que parece: Tédio.
“Todo o infortúnio dos homens vem de uma única coisa, que é não saber permanecer em repouso, em um quarto.”
— Pensamentos (Pensées) de Blaise Pascal (1623-1662)
O que eu chamo carinhosamente de SOS: Silêncio. Observação. Solitude.
Se a gente não encontra tempo de SOS, a gente nunca se encontra, porque está sempre correndo atrás de algo, reagindo a um estímulo ou entretendo um pensamento.
Se você é o Observador, quanto tempo por dia passa observando?
O ser humano médio não passa nem um segundo, ele só reage e reage. Acorde e reage ao pensamento que teve. Pega o celular e reage ao vídeo do gatinho no Instagram. Reage emocionalmente a uma provocação de outra pessoa no trabalho.
De reação em reação, o robô médio humano, nunca começa a viver.
Ele nunca é autêntico, mas um autômata.3
Ao ficar preso nessa cadeia de reações, se torna cada dia mais difícil quebrar o loop, porque a voz de sua Consciência vai se tornando cada vez mais baixa.
A pessoa vai se descolando de si, copiando os outros e se comparando mais.
Chegando ao ponto de não se reconhecer mais e cair em uma profunda depressão.
Um compromisso por dia
Rezo para que eu e você seja diferente, que a gente comece dando exemplo!
Que eu e você possa ter momentos de solitude todos os dias.
Que a gente se proteja dos estímulos que nos desviam do homem que queremos ser.
Que eu e você, depois de viver na prática, a gente possa vocalizar isso pro mundo e ajudar mais pessoas a quebrarem esse automatismo e doença social.
Tudo começa com a consciência, por isso precisamos ver o que mudar.
Fiz uma lista de mudanças que podemos implementar:
Deixar sempre o celular no modo Não Perturbe
Alterar ou remover notificações de aplicativos
Ligar o modo avião de vez em quando
Remover ou limitar o uso de redes sociais
Reservar tempo diário para o tédio (sem estímulos)
Evitar dopamina barata (scroll, pornografia, maconha e fastfood)
Preservar o silêncio em casa
Fazer exercício sem levar o celular
Tomar um banho sem música e/ou luz
Preservar a primeira e última hora do dia sem celular
Esperar no trânsito ou filas sem pegar o celular
Escrever livremente o que sentimos (journal)
Ter um bloco semanal de solitude real (3 horas sozinho)
Espero ter ajudado ou pelo menos provocado a pensar.
O que você faz para preservar esses momentos de SOS na tua vida?
Comenta, quero te ouvir e aprender também.
Com amor,
— Chris Fedrizzi
É claro que a modernidade nos trouxe progresso como a cura de doenças e aumento de produtividade. Não estou dizendo que a modernidade toda é ruim, mas pegando justamente num ponto fraco que devemos olhar.
Nem vou entrar nesse assunto, porque isso é doentio demais. A única diferença é que na saúde o impacto é claro, mas tanto o dono do hospital que escolhe matar e o designer da indústria que decide acabar com a saúde alimentar do povo, ambos estão matando!
Um humano autômato é alguém que vive no piloto automático, guiado principalmente por hábitos, impulsos e condicionamentos acumulados ao longo da vida, ao invés de decisões conscientes. Essa pessoa reage aos estímulos como prazer, dor, pressão social ou ansiedade, repetindo padrões de comportamento sem questionar, refletir ou escolher de forma ativa o que faz, o que pensa e até o que sente, o que faz com que sua vida seja mais uma execução de programas inconscientes do que uma expressão real de vontade ou consciência.

