Você não quer mudar de verdade
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Tudo o que eu escrevo, eu falo sobre o que estou descobrindo na minha vida prática, não é papo de coach pilantra, eu estou vivendo o processo.
Hoje eu senti de escrever sobre os bloqueios que eu vi em mim e nos outros.
Por que a gente tem tanta dificuldade de mudar certos hábitos ruins?
Essa é a base da discussão de hoje. Vamos aprofundar no texto.
O que dizemos querer
O que eu ouço:
Eu quero muito mudar! Não quero mais viver assim, isso tudo é ruim e eu sei o que devo fazer, mas mesmo assim não consigo fazer o que sei que preciso fazer.
A narrativa parece boa, nós dizemos querer mudar, mas mesmo assim não mudamos. Por que?
Essa pergunta é profunda e a origem de minhas maiores transformações de vida, depois que entendi o que me mantinha preso, me transformei.1
A raiz da prisão que nos colocamos é uma só: preferimos continuar presos.
Por mais que dizemos querer mudar, não queremos abandonar esses padrões!
Continuamos escolhendo, pois esses padrões atendem necessidades ocultas.
Cálculo de recompensa
O ser humano está sempre fazendo um cálculo: Retorno sob investimento (ROI).
ROI = Retorno (Recompensa) / Investimento (Esforço)Ou seja,
Continuamos escolhendo vícios, porque vemos mais recompensas do que custos.
Nós preferimos o caos do que a paz, porque de alguma forma, esse caos ainda atende certas necessidades ocultas em nós e o cálculo sempre parece positivo.
Talvez o caos nos dê uma sensação de estar vivo, por exemplo.
Muitas vezes inconscientes, acabamos fazendo o cálculo mental de retorno e chegando no mesmo resultado: não vale a pena o esforço de mudar.2
Vamos analisar o exemplo daqueles que não conseguem fazer exercício.
No fundo, por mais que as falas não dizem isso, elas mentem e tapam a verdade: ela acredita que fazer exercício é mais custoso do que não fazer.
Ela acredita que terá mais benefícios ao não fazer exercício do que ao fazer.
Essa transação parece cara demais e parece não valer a pena.
Simples assim!
Quando nós entendemos de verdade o quanto vale a pena fazer exercício, então nós nunca mais deixamos de fazer. O cálculo de ROI sempre dá positivo.
A gente prioriza o que a gente acha que é importante.
Quem não faz exercício físico, no fundo, acredita que fazer exercício não é importante. Ou que não fazer exercício físico traz mais recompensas do que fazer.
E enquanto a conta não fecha, a gente sustenta os próprios sofrimentos.
Parece ridículo de tão simples, porque é, mas simples não quer dizer fácil.
Fazer o básico bem feito é difícil, mas é simples. Isso serve para a maioria das coisas importantes na vida.
Escavação de crenças ocultas
É o inconsciente que guarda padrões ocultos que nos mantém prisioneiros.
É o que não sabemos que não sabemos ou o que a gente finge não ver.
Por fora, no restaurante num domingo com sua família, você diz com boca cheia que se conhece e sabe quem é, reconhece seus padrões e tem total controle do seu ser, mas ao chegar em casa, você nutre um vício escondido que ninguém mais pode ver.
Por que continua escolhendo esse vício?
Porque você acredita que têm ROI, o hábito ainda vale a pena. Não fazer esse comportamento seria pior do que fazer, você vê mais benefícios do que custos em sustentar esse comportamento, por isso continua escolhendo.
É duro, mas a gente mente para si mesmo.
Isso nos custa a própria autorrealização, mas não vemos o preço real das nossas escolhas no curto prazo. Quando vamos ver, a conta já chegou e está cara demais.
Enganamos a nós mesmos e pagamos o preço, mas quando colhemos as consequências, a gente olha pro céu e exclama: Por que você fez isso comigo, Deus?
Mas somos nós mesmos o algoz e o torturado.
Os demônios que vemos nos outros, geralmente são reflexos dos nossos próprios demônios. Parte nossa que não aceitamos ver, por isso odiamos tanto nos outros.
Benefícios ocultos que nos recusamos a aceitar que queremos receber.
Talvez não fazer exercício físico te gere os benefícios de ter mais tempo para si mesmo ou dedicar o mesmo tempo para algo que você gosta de fazer. Por esse ponto de vista, você nunca escolherá fazer exercício.
Apenas quando o custo de não fazer exercício ultrapassar o custo de fazer, então só assim você começará a fazer exercício de fato.3
Recomendo refazer o cálculo agora, antes que seja tarde demais.
O que podemos fazer
Ao reconhecer que a maioria de nossas reclamações são na verdade escolhas, ou seja, nossos sofrimentos apenas consequências tardias de nossas más escolhas.
Ao aceitar o peso da responsabilidade, a gente pode começar a viver.4
Se somos sempre vítimas, então não temos poder de ação. Estamos à deriva num mundo que não permite transformações. O que é uma mentira, porque você sempre tem uma escolha, mesmo que seja como decide interpretar um evento.
Mesmo preso, você escolhe como reage, como se porta e onde canaliza atenção.
Se você não é um paciente em estado vegetativo, então você tem poder de ação. Pode causar efeitos na realidade ao mudar as causas que geram os efeitos indesejados que você diz não querer. Pode então plantar outras coisas e colher coisas melhores ainda.
Mas nada disso começa sem sinceridade.
Sem sinceridade, a vida é um teatro de fantoches feios e uma comida sem sabor.
Amar a Verdade acima de tudo e deixar que ela destrua tudo aquilo que foi fantasiado, que era falso e não tinha correlação com a Realidade.
Na prática, o que podemos fazer?
Listar o que não estamos orgulhosos em viver
Identificar o cálculo de ROI atual que fazemos
Buscar entendimento para identificar o ROI real5
Decidir se queremos de verdade ou não essa troca
Aplicar as mudanças até formar um novo padrão
Pronto.
Os únicos ingredientes são Sinceridade e Coragem.
Muito do que reclamamos ou inventamos de desculpas, são na verdade coisas que nós mesmos patrocinamos. Somos nós que causamos a maior parte de nossos sofrimentos.
Não quero te fazer sentir culpa, mas sim entendimento.
É do entendimento que surgem as transformações, não da culpa!
Sejamos sinceros e corajosos para mudar uma coisa por vez.
— Chris Fedrizzi
Exemplo concreto foi minha radical mudança do corpo. Deixei de ser obeso com 30% de gordura para ser um homem magro com menos de 14% de gordura corporal. Saudável.
Vale citar que incontáveis vezes, esse cálculo é burro. Apenas não sabemos os custos reais da escolha, portanto diminuímos o custo de beber álcool, por exemplo. Parece não ter grandes consequências e os benefícios são grandes. Certo? Errado. Se você for se aprofundar no impacto real de consumir álcool, você vai entender que não vale a pena. O custo em energia, o impacto no seu intestino e o gasto de dinheiro, não vale nada a pena. Mas não fazemos esse cálculo e apenas copiamos o padrão social estabelecido.
Ainda faltou analisar os custos ocultos, como na velhice não poder ser funcional e ter que abrir mão de ser livre. Ficar acima do peso, contrair doenças metabólicas, e o dominó continua caindo, quando investigamos os efeitos de segunda ou terceira ordem.
Imagina que um amigo venha reclamar de que não está conseguindo ir na academia. Ele culpa a namorada que não deixa ele ir. O que surge de alternativa de ação? Nenhuma. A terceirização de responsabilidade é uma terceirização de liberdade, você tira o poder que tinha de mudar. Pode até nos gerar alívio, mas cria rancor e infelicidade no longo prazo. O amigo que não vai porque “a namorada não deixa”, não tem nada a fazer, o coitado é uma vítima e nunca vai viver uma vida completa, porque terceiriza seu próprio poder.
Muitas vezes não sabemos o custo oculto do que fazemos, por isso a balança pesa ao lado errado. Vemos apenas os efeitos de primeira ordem, mas não a cascata de efeitos que por exemplo não fazer exercício de fato pode causar na nossa vida.

